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LOBOS - A DIVERSIDADE

LOBOS - A DIVERSIDADE


(WOLF AND THE WOLVES)



Neste estudo generalista...

Em complemento do primeiro que escrevi...

Lobos pretos


Falemos de Lobos, muitos lobos, diferentes lobos , de lobos de regiões opostas e lobos que cruzam quase os mesmos terrenos. Falemos de espécies de lobos, subespécies de lobos,  e lobos que podem não ser lobos ou ainda lobos que nunca pensamos neles tão próximos dos Lobos.

Alguns dos dados que surgem neste trabalho podem repetir-se, de certa forma, em relação aos dois artigos anteriores. Isto acontece, fundamentalmente, para enquadrar este trabalho no ponto de vista agora das diversas subespécies de Lobos.

Um dos grandes eixos  das teorizações da evolução da vida selvagem é a pureza e a definição genética das espécies. Cada vez se discute mais a origem, sobretudo no caso dos canídeos. A taxonomia transversal desde do género, ás espécies, até ás mutações e variações na evolução biológica ou adaptações morfológicas de determinadas raças, é hoje cada vez mais uma questão maior do ponto de vista científico dos investigadores. Com as alterações geográficas, com o risco elevado da ameaça de extinção das espécies, com a intrusão do mundo urbano e do homem de certa forma no habitat e nas sociedades destas espécies... a sobrevivência das linhagens da génese pode já ter sido posta em causa: a mestiçagem dos cruzamentos e a hibridização podem já ter alterado o conceito de estudos taxonómicos das subespécies e mesmo de algumas espécies.       
A primeira coisa a ter em conta, é  que o Lobo deverá ser a espécie predadora  terrestre com maior abrangência territorial a nível planetário (à excepção do Homem). E para termos uma noção desta influência, podemos entretanto identificar as principais subespécies que limitam os extremos destas latitudes:
Os Lobos habitam na maioria das suas subespécies, seguramente, acima do equador; por isso, naquilo que se chama: o hemisfério norte. De todas as regiões percorridas por este animal, aquela que é considerada a mais vasta povoada por esta  espécie em termos geográfico é sem dúvida a que se estende da Europa até a Ásia-oriental; e que alberga uma subespécie do Lobo cinzento, classificada como Lobo Euroasiático. No extremo norte perto das regiões árticas habitam duas importantes subespécies: o Lobo-do-Ártico, nas regiões mais polares; e o Lobo-da-Tundra, que tem o seu território da Sibéria à zona mais nórdica da Europa. Mais a sul, podemos considerar quatro as subespécies que se desenvolveram nestas regiões: do lado do continente americano, temos o caso do Lobo Mexicano; no continente africano, o Lobo Egípcio e o Lobo Etíope; a sudeste da Europa, encontramos o Lobo Indiano. Pelo meio ficam todas as outras restantes subespécies e espécies associadas à família dos Lobos. Porém, como em quase tudo há sempre excepções à regra, e por isso  não podemos deixar de falar também das espécies semelhantes ao Lobo ou associadas à família deste que habitam abaixo do equador; e aqui sim, temos dois casos bem distintos: um deles ainda classificado como sendo uma subespécie do Lobo-cinzento... como é o caso do Dingo na Oceania;  o outro dá-se na América do Sul, numa espécie endémica deste continente que mesmo oficialmente não tendo uma classificação cientifica como Canis não deixa de ser difícil de definir como um não-Lobo;  pela natureza única da sua biologia morfológica, etologia ou mesmo perante o historial filogenético que incide na taxonomia... falamos concretamente, do Lobo de Crina ou como também é conhecido, Lobo-Guará ou ainda Guará.
Então e antes de mais, olhemos para a classificação cientifica da espécie de Lobo, e pelas razões do tipo de artigo que é... fica aqui essa classificação o mais completa possível.

Reino: Animalia
Filo: Chordata
Subfilo: Vertebrata
Classe: Mammalia
Subclasse: Theria
Infraclasse: Eutheria
Ordem: Carnívora
Subordem: Caniformia
Família: Canidae
Género: Canis
Espécie: C. lupus

É a partir deste nível que encontramos todas as subespécies descritas com a designação inicial de Canis lupus.

Por outro lado, alguns dos animais que tínhamos como sendo subespécies de Canis lupus, devem ser estudadas, eventualmente, como espécies de Lobos distintas em alguns casos e em outros como subespécies perfeitamente identificadas pela sua genética e não como mutações ou adaptações geográficas de uma determinada subespécie mais influente.


Contudo, antes de olharmos para lista descritiva dos diversos grupos e adiantar-me ao longo de diversos artigos na especificação de cada um deles, de cada uma destas espécies e subespécies; há dois conceitos que considero relevantes deixar aqui em traços gerais, para um entendimento mais claro sobre a razão e as diferenciações que definem este animal.


Abordemos então aquilo que origina o fundamento biológico sistemático que nos leva à caracterização das espécies e suas variações:

Um macho e uma fêmea Alpha
O termo “filogenética” que representa a filogênese ou a filogenia advêm da ciência que estuda a relação evolutiva entre grupos genéticos (no fundo, organismos), e que através de sequenciamento dos elementos moleculares e padrões morfológicos nos ajudam a estabelecer essas relações evolucionárias. Tal como a própria derivação da palavra clarifica a finalidade do conceito: visto que “filo” determina um agrupamento de nível superior numa classificação cientifica de seres vivos; e “genética” é a raiz da origem, da génese, do surgimento. O que leva a que estes estudos componham de forma organizada a história da evolução dos grupos perante a chamada “taxonomia” (que define a classificação e a identificação através de uma designação única de cada grupo orgânico ou genético). É com esta metodologia de informação e complementariedade de dados da filogenia e da taxonomia que são estabelecidos os critérios para entendermos o mecanismo selectivo das espécies.
Um par "ALPHA"
Com base nestes estudos anteriormente descritos, vai permitir-nos perceber o motivo das especificidades que levam a consideração morfológica para classificar as variações de espécie em subespécies. Na taxonomia esta subdivisão de uma determinada espécie dá-se na generalidade, quando parte (indivíduos) de uma população se separa e migra para regiões diferentes e distantes com significativas diferenças geográficas, e que após um total isolamento entre elas e com o decorrer do tempo e de múltiplas gerações, sofrem naturalmente, devido a um novo meio habitacional, mutações e consequentemente a evolução para diferenças genéticas, fazendo com que surjam subespécies a partir da espécie originária.
Todavia, outras circunstâncias podem ocorrer para que decorra o surgimento de novas subespécies. Só que, nos dois casos mais evidentes impera um elemento essencial: a compatibilidade genética: ou seja, no caso do acasalamento entre indivíduos da mesma espécie mas de raças ou subespécies diferentes se o resultado originar uma descendência, fértil, com características morfológicas representativas dos progenitores então estamos perante uma classificação distinta da anterior, caso se dê a constituição de uma nova população... mesmo que não produza um grupo, não deixa de ser um novo exemplar de uma subespécie mestiça.  Se esse cruzamento entre espécies não produzir descendência fértil; que dizer, não conseguirem reproduzir uma oura geração capaz de gerar crias e sustentar essa linhagem e essa genética... então, estamos perante indivíduos híbridos devido à sua incompatibilidade de genes.    

Lobo Tibetano

SUBESPÉCIES DO LOBO-CINZENTO EXTINTAS

Canis lupus alces - Lobo da Península Kenai (extinto 1925 (?)) - 1941
Canis lupus beothucus - Lobo de Newfoundland (extinto 1911-1930) – 1937
Canis lupus columbianus - Lobo da Colômbia Britânica (extinto (?)) - 1941
Canis lupus fuscus - Lobo da Montanha Cascata (extinto 194?) - 1839
Canis lupus grisealbus - Lobo de Manitoba (possivelmente extinto ?) – 1858
Canis lupus bernardi - Lobo de Bernard (extinto 1934 ou 1952) – 1943
Canis lupus mogollonensis - Lobo da Montanha da Mongólia (extinto 1935) - 1937
Canis lupus monstrabilis - Lobo do Texas (extinto 1942) – 1937
Canis lupus youngi - Lobo do Sul das Montanhas Rochosas (extinto 1935) – 1937
Canis lupus hattai - Lobo de Hokkaido (extinto (?)) - 1931
Canis lupus hodophilax - Lobo Japonês Honshu (extinto 1905) – 1839

As datas possíveis para a extinção destas subespécies são também elas muito subjectivas, se algumas os dados são mais ou menos consistentes para outras as dúvidas são enormes e pouco concísas. Contudo, ficam como elementos orientadores em termos temporais.
Para esta lista já extensa; a caça, o envenamento, doenças contagiosas e a destruição do habitat foram as causas maiores para que estes Lobos desaparecessem e deixassem mais pobre a beleza do nosso Planeta (tristemente, só o homem está por detrás deste crime).
Este status, tem ainda ambiguidades, tanto ao nível de espécies ou subespécies extintas não classificadas como outras ( ex: Lobo de Manitoba ou o Lobo de Hokkaido, e quem sabe outras) das quais não há certezas absolutas da sua extinção, pois em alguns casos as diferenças morfológicas são diminutas em outros os relatos de avistamentos podem sustentar a incerteza. 

SUBESPÉCIES DO LOBO-CINZENTO EXISTENTES E CLASSIFICADAS

Canis lupus arctos - Lobo do Ártico - 1935
Canis lupus baileyi - Lobo Mexicano - 1929
Canis lupus crassodon - Lobo da Ilha de Vancouver - 1932
Canis lupus hudsonicus - Lobo da Baía de Hudson  - 1941
Canis lupus irremotus - Lobo do Norte das Montanhas Rochosas - 1937
Canis lupus labradorius - Lobo de Labrador - 1937
Canis lupus ligoni - Lobo do Arquipélago Alexander - 1937
Canis lupus lycaon - Lobo das Florestas do Leste da América do Norte/Lobo do Leste  - 1775
Canis lupus mackenzii - Lobo do Leste do Rio Mackenzie/Lobo do Rio Mackenzie - 1943
Canis lupus manningi - Lobo da Ilha de Baffin - 1943
Canis lupus nubilus - Lobo das Grandes Planícies - 1823
Canis lupus occidentalis - Lobo do Vale Mackenzie - 1829
Canis lupus orion - Lobo da Groenlândia - 1935
Canis lupus pambasilieus - Lobo do Interior do Alasca/Lobo de Yukon - 1905
Canis lupus tundrarum - Lobo da Tundra do Alasca - 1912
Canis lupus albus - Lobo da Tundra - 1792
Canis lupus arabs - Lobo da Arábia - 1934
Canis lupus campestris - Lobo da Estepe - 1804
Canis lupus chanco - Lobo Tibetano/Lobo dos Himalaias - 1863
Canis lupus pallipes - Lobo Iraniano - 1931
Canis lupus lupus - Lobo Cinzento Comum/Lobo-euroasiático - 1758
Canis lupus dingo – Dingo - 1793
Canis lupus familiaris - Cão Doméstico - 1758

OUTRAS SUBESPÉCIES AINDA SOB DISCUSSÃO

Canis lupus signatus - Lobo Ibérico
Canis lupus italicus - Lobo Italiano

Canis himalayensis - Lobo do Himalaia - NA
Canis aureus lupaster - Lobo Egípcio - 1833
Canis indica - Lobo Indiano/Lobo Asiático - 1941

SUBESPÉCIES DA ESPÉCIE LOBO VERMELHO

Canis lupus rufus/Canis rufus (nova classificação) - Lobo vermelho Comum - 1851
Canis lupus floridanus - (extinto 1908) - 1912
Canis lupus gregoryi - (extinto) – 1937

ESPÉCIE LOBO ETÍOPE

Canis simensis - Lobo Etíope/Lobo Abissínio – 1840

ESPÉCIES ORIGINAIS PRÉ-HISTÓRICAS

Canis dirus - Lobo Dire/ Lobo Pré-histórico (extinto)
Canis edwardii - (extinto) - 1942

ESPÉCIE  ÚNICA - NÃO INCLUÍDA

Chrysocyon brachyurus/Canis jubatus - Lobo de Crina ou Lobo-Guará
Lobo Árabe
Lobo Ibérico
Lobo Vermelho

Após recentes estudos, ainda que discutíveis para muitos biólogos e conservacionistas, a reavaliação das subespécies descritas do Lobo-cinzento, entre as existentes e as já extintas, foi profundamente alterada. Este estudo propõem agora uma nova distribuição não só em termos taxonómicos baseados na filogenia de recentes estudos... configurando essa recente classificação, genericamente: divididos em 7 subespécies na Europa e Ásia e 5 no continente Americano, nestas definições:


Canis lupus albus - Norte da Rússia
Canis lupus communis - Rússia central
Canis lupus cubanensis - Centro Leste Asiático
Canis lupus hattai - Hokkaido, Japão (extinto)
Canis lupus hodophilax - Honshu, Japão (extinto)
Canis lupus lupus - Europa e Ásia
Canis lupus pallipes - Médio Oriente e Sudoeste Asiático
Canis lupus arctos - Extremo Ártico Canadiano
Canis lupus lycaon - Sudoeste Canadiano, Nordeste do EUA
Canis lupus nubilis - Centro do EUA, Centro-leste Canadiano
Canis lupus occidentalis - Alasca, Noroeste Canadiano
Canis lupus baileyi - México, Sudoeste do EUA

Lobo Italiano
Mantendo tal como já estava na classificação anterior (com base nos últimos estudos): a subespécie Ibérica e Italiana excluída da lista de subespécies do Lobo-cinzento na Europa. Confirmando assim que estas são subespécies de Lobos com as suas próprias características. O haplótipo do ADN  mitocondrial destas subespécies evidenciam diferenças das do Lobo-cinzento. Porém estes dados ainda não estão reconhecidos universalmente.

As descrições que se vão seguir em todas as próximas crónicas e estudos sobre Lobos, obedecerão ao critério sequencial alfabético do nome científico das listas anteriores, tendo como denominadores organizacionais; primeiro, o tipo de espécies e classificações, e em segundo, as regiões continentais:

Termino com um resumo do primeiro dessa lista, para que fiquem registadas todas as subespécies e espécies da lista (dado que esta subespécie já foi alvo de um trabalho anterior).


THE WHITE SHADOW

Lobo do Ártico 

(The Arctic Wolf/Polar Wolf/White Wolf) - Canis lupus arctos
  
Sobre o Lobo do Ártico já falei no artigo anterior. Resumo aqui apenas alguns dos dados mais significativos para identificar esta subespécie do Lobo-cinzento:
Lobo do Ártico
Trata-se um animal com uma grande capacidade de resistência às condições mais agrestes que qualquer ser vivo pode ser sujeito na luta pela sua sobrevivência. Muitas vezes em condições acima dos 20º negativos. Por uma questão de conservação das suas populações, vivem em grupos de um número pequeno de indivíduos; com o par alpha dominante, as suas crias e alguns adultos que podem ser de ninhadas anteriores ou exemplares que acabam por se ajuntar ao grupo. Alimenta-se de quase tudo o que consegue caçar, incluindo ovos sempre que possível, aproveitando também todos os restos do cadáver da  sua presa:  apesar de não ser esquisito com as peças de caça, os bois-almiscarados e os caribus garantem maior subsistência, só em alternativa com o rigor das condições climatéricas optam por roedores como os lemingues ou as lebres do ártico. É referido como um dos exemplares mais robustos da sua espécie, mas por norma é um Lobo de médio porte... os dados apontam que em média pode medir entre os 63 e os 76 cm até à altura dos ombros, com um comprimento médio que ronda os 90 e 150 cm (com determinadas circunstâncias favoráveis pode ir até os 160 e mesmo os 180, 185 cm), o peso é em geral dos 35kg aos 46 kg mas ir acima dos 55/56kg. O habitat natural é a tundra ártica e as zonas nórdicas polares, que vão das regiões árticas no norte da América até à Groenlândia, associado, directamente, à ilha de Melville e à ilha de Ellesmere no Arquipélago Canadiano do Ártico. Por isso, a sua pelagem está adaptada ao meio como camuflagem, sendo de um branco puro. Tem igualmente, uma particularidade: a íris do seus olhos é castanha, quando o normal vai do amarelo ao âmbar. Em média a esperança de vida é de 7 anos (podendo ir aos 10 anos) no estado selvagem, porém em cativeiro essa longevidade pode ir aos 17 anos. Não tem predadores naturais, dado que nas regiões onde vive o homem é uma presença muito rara, talvez seja mesmo o Lobo menos ameaçado do planeta, por isso o status de conservação da espécie é considerado... Pouco Preocupante (LC=Least Concern).
Dingo



CONTINUA... 

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