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PAN PAN & JIA JIA – O PANDA-GIGANTE E A CONSERVAÇÃO

PAN PAN & JIA JIA – O PANDA-GIGANTE E A CONSERVAÇÃO

(Pan Pan and Jia Jia, the Giant Panda)


A notícia não é recente, mas vale pela importância…

Pretendi desta notícia, ao mesmo tempo relatar um acontecimento e fazer um artigo que me permitisse uma investigação para um estudo da vida animal; e esta experiência parece-me ser uma ideia interessante…

Como nota adicional, quero dedicar este trabalho à minha neta Maria Madalena, que adora pandas!

O final de 2016 trouxe um maior vazio ao mundo da vida animal e da vida selvagem. A China despediu-se de dois dos seus mais emblemáticos representantes. A conservação das espécies perdeu magníficos exemplares que muito contribuíram para salvar e mudar o estatuto de risco de extinção da espécie mais icónica do mundo animal.

JIA JIA, em Julho de 2015

PAN PAN, em Dujiangyan
Pan Pan e Jia Jia morreram a 28 de Dezembro e 16 de Outubro, respectivamente… eram à data, dois dos mais velhos Pandas-Gigantes em cativeiro. Pan Pan tinha 31 anos (o mais velho macho conhecido) e Jia Jia com uns 38 anos; o mais velho panda do mundo.

Pan Pan, no seu 30º aniversário, em 2015
Pan Pan
Quem era Pan Pan? Pan Pan foi um extraordinário Panda-Gigante macho que nasceu na natureza, mais especificamente, na província de Sichuan, possivelmente no distrito de Baoxing, em 1985. Pouco tempo depois, foi levado para o Centro do Panda-Gigante de Dujiangyan, onde viveu, conforme os dados e notícias… uma vida tranquila e confortável. Pan Pan é considerado para muitos como o mais importante espécime desta espécie e fundamental para a preservação do Panda-Gigante, como também determinante na conservação e reprodução da espécie. Foi, em parte, graças a ele, que esta espécie hoje pode contar com mais de uma centena de outros exemplares; calcula-se, e de acordo com os dados existentes que Pan Pan foi pai de mais de 130 crias. O “avô dos Pandas” como também era conhecido, contribuiu no Centro de Reprodução e Pesquisa de Panda-Gigante de Dujiangyan, de uma forma singular para que esta espécie saísse do estatuto de conservação “EN – Em Perigo” para uma espécie com um risco menos elevado como “VU-Vulnerável”, deixando de estar na lista das espécies mais ameaçadas. Nos últimos anos, Pan Pan fora transferido para a ala de geriatria (local onde se encontram os Pandas mais idosos; hoje em dia com cerca 30 pandas com mais de 20 anos; idade estimada da sua longevidade em liberdade). Há seis meses que lhe fora detectado um cancro, por isso a sua saúde vinha-se deteriorando à medida que os meses foram passando, para além das naturais consequências advindas da sua avançada idade (em cativeiro a esperança de vida, em média, de um panda… ronda os 25 anos). O “Pai Herói”, outro dos nomes com que ficou conhecido, têm hoje descendentes espalhados por muitos dos parques e zoos do mundo inteiro (China, Taiwan, Tailândia, Bélgica, Escócia, ou Washington D.C. e a Califórnia nos EUA, são alguns desses casos). Pan Pan era um macho robusto, e bastante rápido e ágil quando era novo, o que se crê que tenha sido um factor diferenciador para ter consigo acasalar tantas vezes e com diversas fêmeas. Pan Pan é também pai de Bay Yun (“Núvem Branca”, nascida a 7 de Setembro de 1991 da mãe Dong Dong que faleceu em 2011), que vive no Zoo de San Diego, já famosa juntamente com o seu companheiro Gao Gao se terem tornado o casal mais bem sucedido de todos os pandas-gigantes em cativeiro; isto depois de se terem tornado notícia por ter sido deles o primeiro nascimento bem sucedido de um Panda em cativeiro no Centro de Pesquisa do Panda Gigante em Wolong na China; a isto ainda se junta o facto de ser a segunda (com uma diferença de dois dias) mais velha fêmea em cativeiro a dar à luz… o que prova o quanto a genética e a hereditariedade podem ser fundamentais na conservação das espécies. Pan Pan fica agora conhecido nos meios zoológicos com “Hope” (Esperança), num reconhecimento pelo contributo dado a toda a espécie. Aos 31 anos, Pan Pan, tinha o equivalente aproximadamente a uns 93 anos do Homem.
Pan Pan

Pan Pan










Jia Jia, no seu 37º Aniversário, em 2016

Jia Jia
Quanto a Jia Jia, era a mais velha fêmea viva em cativeiro e o mais velho Panda-Gigante conhecido. Nascida na natureza, Jia Jia foi resgatada em Sichuan no distrito de Qingchuan, em 1980/1981. Tinha cerca de dois anos (nascida em 1978). Transportada para o Centro de Reprodução do Panda Gigante na Reserva Nacional de Wolong (o mesmo de Pan Pan) onde viveu perto de 19 anos. Oferecida pela autoridades chineses do governo central à administração de Hong Kong após o período em que esta esteve sob governação britânica, mudou-se assim, em 1999, para o Ocean Park de Hong Kong (HKSAR) com o macho An An (uns anos mais tarde, chegariam também Ying Ying e Le Le). A vida de Jia Jia no parque era muito estimulada pela tratadores, criando jogos ou situações para ela resolver, passava muito tempo no seu recinto ao ar livre a subir e a descer uma colina tal como o faria no seu habitat. O contacto com os visitantes era bastante frequente, visto que em Hong Kong funcionava como um embaixador da espécie. Jia Jia foi mãe de seis crias (Guo Guo, Jia Lin, Yue Yue, Di Di, Long Long e de Panda #440) em cinco partos ao longo dos anos que viveu no “Ocean Park”, porém, enquanto esteve em Wolong quase duas décadas nunca chegou acasalar. “Boa” é o significado transcrito de chinês para Jia Jia, isto porque sempre se mostrou calma, dócil e receptiva com o público e os seus tratadores que tinham por ela um carinho e uma dedicação muito especial. Calcula-se que perto de um milhão de estudantes a tenham visitado e participado em cursos para aprenderem tudo o que era possível sobre o Panda-Gigante e sobre a conservação desta espécie, bem como, sobre a preservação da vida selvagem. Estima-se igualmente, que cerca de 29 milhões de pessoas tenham visitado o “Ocean Park” para ver Jia Jia e An An. São números impressionantes que revelam um significado extraordinário e uma percepção daquilo que se pode interpretar da importância que os animais podem ter, isto para além do contributo óbvio na promoção da defesa ambiental e na atenção dada à preservação das espécies mais ameaçadas e em risco de extinção. Os últimos dias de Jia Jia foram dramáticos para os seus cuidadores, apesar de que há já algum tempo que era previsível este desenlace. Nas últimas duas semanas o seu estado vinha piorando. Nestes últimos dias encontrava-se bastante prostrada, deixando de se interessar pela alimentação e passava grande parte do tempo deitada ou a dormir, alheada das coisas em seu redor. Nem mesmo líquidos bebia. Para um animal que comia cerca de 10 kg de alimento por dia, consumia agora menos de 3 kg, perdendo em poucos dias 4 kg (pesava qualquer coisa como 67 kg, da sua média de 71/72 kg). No dia da sua morte, Jia Jia apresentou um significativo agravamento do seu estado de saúde, andando com muito dificuldade e permanecendo deitada a maioria do tempo. Para evitar o sofrimento e aumentar a angustia de todos devido à debilitação em que se encontrava… a direcção do “Ocean Park”, com a concordância dos veterinários responsáveis do departamento de conservação oficial e na sequência das directrizes da WAZA e respectiva comunicação aos directores do Centro de Pesquisa do Panda Gigante em Wolong, foi decidido proceder a uma rápida eutanásia para que Jia Jia não sofresse e assim impedir que a sua qualidade de vida se agravasse ainda mais… por muito que custasse (e eu acredito profundamente no desgosto de toda equipa e pessoas envolvidas numa decisão destas). Jia Jia partiu às 6 horas da tarde do dia 16 de Outubro do ano passado. Tinha algo como… 114 anos no equivalente à idade humana. Todas as pessoas que partilharam algum tempo com este Panda, tal como todas as comunidades envolvidas ficarão reconhecidas pela importância e pela presença que este animal teve na transmissão do valor da vida animal.

Jia Jia

Jia Jia










É um testemunho e um testamento vivo que Pan Pan e Jia Jia nos deixam para que possamos nos lembrar o quanto é fundamental que olhemos para o ambiente e a vida selvagem como parte integrante e indissociável do Mundo em que Vivemos.


An An no "Ocean Park" de Hong Kong
Hoje, o mais velho panda macho em cativeiro
Bay Yun
An An têm hoje 31 anos, e o outro casal de jovens pandas: Ying Ying e Le Le praticamente 12 anos. E claro, que continuarão o legado de Jia Jia. Quanto a Pan Pan tem uma larga descendência espalhada pelos centros de reprodução na China, incluindo Tian Tian (nascido a 27 de Agosto de 1997, agora com 20 anos), um macho que é meio-irmão de Bay Yun, a famosa fêmea que vive no Zoo de San Diego ( com 26 anos, companheira de Gao Gao que tem entre 25 a 27 anos de acordo com o livro de registos da espécie, considerados como disse: o casal com maior sucesso reprodutivo em cativeiro). Como já referi também, um Panda-Gigante é considerado idoso a partir dos 20 anos, que é a sua esperança média de vida em liberdade.

Pan Pan acasalando com uma fêmea do Centro de Dujiangyan, em 1999
Hoje em dia, e depois do desaparecimento de Pan Pan e Jia JiaBasi (uma fêmea nascida provavelmente em 1990) que vive no Centro de Reprodução e Pesquisa do Panda-Gigante de “Strait Panda World” em Fuzhou, é considerada o Panda mais velho do mundo (em cativeiro). Basi tem uma história que diria no mínimo… curiosa; nasceu na natureza, foi salva de morrer num rio congelado com cerca de 3 ou 4 anos na Província de Sichuan na China, e é uma atracção no parque por ser considerado uma estrela do desporto animal… pois levanta pesos, anda de bicicleta e lança aros. Devido à idade já muito avançada, Basi sofre como a maioria dos pandas idosos de problemas de tensão arterial, cataratas as quais já foi operada, e a sua alimentação é muito baseada em comida liquida e pequenas quantidades de folhas de bambu… mas de resto, apresenta uma saúde e uma qualidade de vida razoável. Quanto a An An, é provavelmente nesta altura, o macho mais velho em cativeiro.

Basi, possivelmente, hoje, o mais velho panda em cativeiro...
Os Pandas do Zoo de Madrid
Para quem vive no nosso país, a única forma de ter o privilégio de ver ao vivo esta magnífica criatura do mundo animal, este símbolo vivo da conservação das espécies… o mais perto que é possível, é no Zoo Aquarium em Madrid, em Espanha. Bing Xing (macho) e Hua Zui Ba (fêmea) vivem ali desde 2007 e já tiveram 4 crias, incluindo gémeos, a mais recente nascida em Setembro de 2016 chama-se Chulina (fêmea)… uma homenagem à quinta cria (Chulin) nascida neste zoo em 1982 e a primeira cria nascida em cativeiro no ocidente, como a primeira de inseminação artificial fora da China. Com os pais ainda vive ainda a cria anterior Xing Bao, uma fêmea nascida em 2013.

Chulina, no Zoo Aquarium em Madrid
Apenas a titulo informativo, deixo aqui só para se ter uma ideia, os Zoos que possuem o Panda-Gigante fora da China…

Na Ásia:
Tailândia – Chiang Mai Zoo, em Chiang Mai
Malásia – Zoo Negara Malaysia, em Kuala Lumpur
Singapura – River Safari
Coreia do Sul – Everland Resort, em Yongin
Japão – Adventure World, em Shirahama
Japão – Kobe oji Zoo, em Kobe
Japão – Ueno Zoo, em Tokyo
Hong Kong – Ocean Park
Macau – Macau Giant Panda Pavilion
Taiwan – Taipei Zoo, em Taipei

Na Europa:
Reino Unido /Escócia – RZSS Edinburgh Zoo, em Edinburgh
Holanda – Ouwehands Dierenpark Rhenen, em Rhenen
Bélgica – Pairi Daiza, em Brugelette
Alemanha – Zoo Berlin Zoological Garden, em Berlin
Austria – Tiergarten Schonbrunn, em Vienna
França – ZooParc de Beauval, em Saint’ Aignan
Espanha – Zoo Aquarium de Madrid, em Madrid

Na América de Norte:
EUA – San Diego Zoo, na Califórnia San Diego
EUA – Memphis Zoo, no Tennessee Memphis
EUA – Zoo Atlanta, na Georgia Atlanta
EUA – Smithsonian’s national Zoological Park, em Washington DC
Canada – Toronto Zoo, em Ontário Toronto
México – Chapultepec Zoo, na México City

Tao Tao
Para além dos centros de reprodução e pesquisa na China, todos estes parques zoológicos estão fortemente envolvidos no programa de conservação desta espécie. Este trabalho não reflecte só a reprodução do Panda-Gigante em cativeiro; desde Julho de 2003 que se iniciou o Programa de Reintrodução do Panda-Gigante na Natureza, através de crias nascidas em ex-situ. Não é um processo fácil, pois esta é uma das espécies de mamíferos mais complexas em termos de conservação. Os Pandas seleccionados para este programa, nasceram em cativeiro; isto envolve primeiro de tudo uma preparação selvagem, estudos nos vários campos ecológicos, investigação no campo da etologia, uma prevenção nas necessidades médico-veterinárias, um planeamento da gestão das condições alimentares, como principalmente, o conhecimento de quais os espécimes que melhor se adaptarão na natureza. Não podemos esperar que se obtenham resultados em larga escala porque isso não é possível. Infelizmente, não posso deixar a garantia que os exemplares libertos sejam apenas os que vou referir, estes são aqueles dos quais consegui obter informações… e a primeira referência que tenho de um Panda-Gigante reintroduzido na natureza é de 28 de Abril de 2006; Xiang Xiang, nascido a 25 de Agosto de 2001 no Centro de Wolong (o triste da notícia é que este panda acabou por morrer pouco depois e pelo que se sabe atacado por machos adultos. Só seis anos depois, em 11 de Outubro de 2012, foi a vez de Tao Tao, nascido no mesmo centro a 3 de Agosto de 2010. No ano seguinte, a 6 de Novembro, segue-se Zhang Xiang, nascido em Ya’na Bi Feng Xia a 20 de Agosto de 2011. Xue Xue nascido a 15 de Agosto de 2012 em Wolong foi solto a 14 de Outubro de 2014. Já em 2015, a 19 de Novembro, foi a vez de Hua Jiao, vindo do mesmo centro e nascido a 6 de Julho de 2013. Pela primeira vez, foram libertados 2 exemplares no mesmo ano; em 2016, no mesmo dia, a 20 de Outubro, Huan Yan e Zhang Meng (o primeiro nascido a 14 de Agosto de 2013, e o segundo a 7 de Julho de 2014, provenientes de Wolong e Ya’na Bi Feng Xia respectivamente). Temos sete Pandas, ao longo de 14 anos, reintroduzidos na natureza. É sem dúvida, uma longa marcha e uma longa batalha, para salvar uma espécie. Salvar o Panda-Gigante, passa sobretudo por proteger o seu habitat e as reservas criadas in-situ para que esta espécie de comportamento solitário e reservado possa estabelecer ligações entre as suas frágeis populações muito fragmentadas.

Xue Xue na Liziping Natural Reserve em Shimian,
sudoeste da China, província de Sichuan,
quando libertada a 14 de Outubro de 2014
Sei que são já 67 as reservas criadas pelas autoridades chinesas e que cobrem somente 70% dos exemplares em estado selvagem. O que deixa cerca de 600 Pandas fora das zonas protegidas.
Eram 1864 Pandas-Gigantes adultos (excluídos que foram neste levantamento todas as crias com idade inferior a um ano e meio), de acordo com os resultados do 4º censo (2011 a 2014) sobre a espécie; os números estimavam nessa altura, eventualmente, 2060 “ursinhos” pretos e brancos no seu habitat (a percentagem estimada de crias não envolvidas é de 9,6%), com cerca de 471 pandas em cativeiro e nos centro de reprodução (no final de 2016)… o que nos leva a prever, olhando para estes valores e na melhor das hipóteses baseadas nos números obtidos e o eventual aumento desde 2014, que não passarão muito de 2500 Pandas-Gigantes em todo o mundo, talvez perto de 3000, se os sinais (fezes e marcas) deixados no terreno nos levarem a essa estimativa. É verdade que a população vem crescendo em algumas áreas, graças às medidas de protecção das florestas e da reflorestação das zonas integradas no seu habitat, para além do alargamento das áreas protegidas em 12%, que fez estabilizar e mesmo aumentar a população depois do declínio registado no censo de 1985-1988 ou do pequeno crescimento no 3º censo entre 2000 e 2004. Estudos tanto de especialistas chineses como de outras autoridades internacionais, propunham como ideal para a sustentabilidade da espécie, uma meta de 3000 Pandas em liberdade e qualquer coisa como 300 exemplares em cativeiro. Este é um objectivo (que em 2008 era um desafio) pode já ter sido alcançado; visto que em cativeiro os números são já bem superiores e as monitorizações e os sinais também indicam que este número deva rondar os 2500 e os 3000 indivíduos… é na realidade, um facto que deve congratular todos aqueles que investiram nesta tarefa hercúlea. Todavia…
  
Bashanna Bambu
Atenção foca-se agora na conservação das florestas de bambu, pois espera-se com o contínuo crescimento populacional e as constantes alterações climáticas que a sua dieta poderá ser afectada em cerca de 35 a 40%, ao longo deste século. Para além disso, existe um factor de ameaça sempre presente e que precisa de ser controlado... a chamada flor do  Bambu Bashanna (uma das espécies de bambus preferidas dos pandas); esta floração faz com que o bambu seque em pouco tempo e acabe por morrer, podendo destruir grande parte das florestas desta planta,  o que inevitavelmente… colocaria de novo o Panda-Gigante em grave risco de extinção, como aconteceu em 1983. Apesar das flores controladas (um facto cíclico que ocorre de 15 a 60 ou 100 anos), a medida só por si não oferece garantias e por isso, adoptou-se medidas extremas: com plantação e o repovoamento das florestas com bambu jovem. Se houver maior quotas destas plantações, as populações podem-se deslocar com menor risco de subsistência. Só no centro de Wolongo, os pandas ali residentes, podem chegar a comer 2 a 3 toneladas de bambu por dia.     
Hua Mei (à direita) com a mãe, Bay Yun (à esquerda), no San Diego Zoo
A verdade é que o extraordinário trabalho das equipas de conservação chinesas e o forte empenho das autoridades oficiais da China, têm conseguido obter resultados determinantes para a preservação da espécie, e é devido a esta dedicação que a população do panda hoje corre um risco menor e por isso a IUCN reviu o estatuto de conservação de EN-Em Perigo (classificado em 1990) para VU-Vulnerável em 2016, saindo assim da lista dos animais mais ameaçados. Não sei se é uma boa iniciativa… devido à fragilidade reprodutiva, à fragilidade das populações fragmentadas, ao crescimento permanente da expansão humana e da produção agrícola, à fragilidade do habitat e à fragilidade da sustentabilidade do Bambu e que representa mais de 98 a 99% da sua alimentação. Apesar destes resultados, concordo com o director do Wolong, quando diz que: perante as circunstância que envolvem esta espécie, o Panda-Gigante ainda se manterá por muitos anos como uma espécie ameaçada com riscos que a qualquer momento podem colocá-lo à beira da extinção…

Para lembrar o Panda-Gigante...
a "WORLD WIDE FUND FOR NATURE - WWF",
na evolução do seu logotipo
Fica aqui para finalizar, uma breve descrição sobre quem é este animal…


O Panda-Gigante é um mamífero endémico da Republica Popular da China, descrito pela primeira vez em 1869, por um missionário jesuíta francês (Armand David). Nessa altura foi associado de imediato à família dos ursos (Ursidae). Todavia esta classificação tem levantado uma polémica que dura há quase 150 anos. A sua taxonomia não é nem nunca conseguiu ser consensual; ainda hoje esta classificação cientifica ou biológica está envolta de uma discordância entre os cientistas sobre a verdadeira família a que pertence: se aos ursos (Ursidae) se à dos Pandas-vermelhos (Ailuridae), onde o género é partilhado com algumas semelhanças. Os Guaxinins e os Coatis, agora numa família à parte (Procyonidae), também já foram diversas vezes ligados ou associados com a do Panda-vermelho, o que de certa forma já ligou entre si todas estas espécies. Esta discussão tem-se mantido ao longos dos tempos, fazendo com que as espécies acabem por saltar entre famílias, géneros, tribos ou subfamílias, pelo menos até à última revisão em 2005.

A distribuição do Panda-Gigante é outro factor que tem marcado a espécie. Hoje encontra-se confinado apenas às zonas montanhosas mais isoladas das Províncias de Ganzu, Shaanxi e Sichuan, numa área que cobria cerca de 3.000 km2, mas a espécie ocupa na totalidade um habitat somente de 1/5 desta área. Sabe-se que habitou no passado nas regiões de Myanmar, do Vietnam, nas imediações do Tibete (onde parece ter sido descoberto), para além de uma vasta área no Leste e no Sul da China, limitando-se agora a uma pequena proporção nestas regiões chinesas. Fixando-se em populações fragmentadas entre as frias montanhas nevadas e húmidas, entre planaltos e vales, que oscilam na altitude dos 2000 aos 4000 metros (ou pouco mais), circunscritos a seis áreas montanhosas que servem hoje de abrigo a todas as subpopulações do Panda; as maiores localizadas em Minshan, Qinling e Qionglai e as mais pequenas e mais isoladas em Liangshan, Daxiangling e Xiaoxiangling. Entretanto, o governo chinês já tomou a iniciativa de aumentar a área protegida para 10.000 km2, durante a última década. Nas regiões onde as populações são diminutas, chegam a existir 23 subpopulações com mais de metade apenas com pouco mais de 10 exemplares (estimavam-se um valor total de 223 exemplares nestes locais em 2010/2011), onde o risco da consanguinidade e da diversidade genética é extremamente preocupante.

Bi'Feng Xia em Ya'an, na província de Sichuan, China... uma das regiões do panda.
Esta poderia ser uma espécie como tantas outras ameaçadas, mas é a sua fisionomia que marca o Panda-Gigante, e que o tornou no mais importante símbolo e ícone do Reino Animal.
Vamos tentar descrever um pouco que espécie é esta que está em torno de Pan Pan e Jia Jia

Primeiro de tudo é claramente um mamífero… e omnívoro, que se alimenta substancialmente… de plantas. Já foi um carnívoro, que ao longo da evolução da espécie, adaptou a sua dieta para sobreviver.
Um Panda-Gigante... e um Panda-Vermelho
Com uma pelagem preta e branca; espessa, dura, comprida e crespada… com o preto a destacar-se do branco: nas orelhas, em torno dos olhos, numa faixa grossa que lhe envolve a parte superior do tronco e se perlonga pelos membros posteriores, o preto também cobre na totalidade os membros inferiores, o nariz e os cantos da boca apresenta igualmente um tom negro. Acrescentar a esta particularidade única; a pele é escura por debaixo da pelagem preta e dum tom mais roseado por debaixo dos pêlos brancos. Outra característica que define o Panda nas suas especificidades variadas é o facto de possuir cinco dedos nas patas dianteiras como traseiras e mais um “sexto” osso/dedo (sesamóide radial) que é muito semelhante ao uso que damos do nosso polegar e que lhe permite agarrar melhor as canas de bambu, e nas extremidades possui garras salientes e aguçadas. Assim como, as mandibulas poderosas e uma dentição grande e forte onde essas presas são ligeiramente arqueadas para dentro. Os membros posteriores são bastante mais desenvolvidos que os inferiores. Este perfil não acontece por acaso (como nada na natureza), e tem a ver fundamentalmente com o desenvolvimento da adaptabilidade ao meio e a necessidade da sua subsistência alimentar. Com um comprimento que varia de 1,20m a 1,90m. Uma cauda que fica entre os 10 e os 15 cm; a segunda maior entre os ursos. A altura (normalmente medida até aos ombros) oscila entre os 60 e os 90cm, mas pode chegar aos 100/115cm em alguns machos mais encorpados e talvez genéticas mais diversificadas. O peso nos machos pode ser superior em 10 a 20% em relação às fêmeas; eles podem chegar aos 150/160 kg no máximo, enquanto elas podem-se atingir os 120/125 kg; porém, o peso médio de um panda varia entre os 95/100 e 115 quilogramas.

Panda-Gigante numa reserva, em semi-liberdade

Pandas num Centro de Reprodução
Como já referi antes, a sua vida depende diria quase exclusivamente do Bambu (das suas folhas, do seu caule, dos brotos da planta aonde vai buscar parte dos líquidos que ingere devido ao facto desta parte da planta conter 90% da sua composição em água). Sendo uma planta pouco rica em termos calóricos e energética, obriga a que o Panda precise de ingerir entre 10 a 13,5 kg médios de bambu diariamente (em condições abundantes pode chegar a ingerir perto de 20 kg), para satisfazer as condições fundamentais para a sua sobrevivência. Como mastiga devagar (como a maioria dos herbívoros), despende uma boa parte da actividade diurna (e mesmo algumas horas nocturnas) na busca de saciar as sua necessidades vitais. Mesmo sendo biologicamente um carnívoro, o seu organismo adaptou-se a uma ingestão à base de plantas. Na natureza, apesar de selectivo, alimentação deste animal passa por mais de 20 tipos de bambus. De nutrientes pouco absorvíveis, o Panda-Gigante despende mais de 15 horas diárias a consumir estes rebentos, que em valores ponderados, compõem-se em média, de 55% do caule, mais 35% de folhas e provavelmente de 10% de brotos; a proteína de que precisa vem acima de tudo das folhas e dos brotos. A questão menos funcional está na quantidade de celulose que come (mesmo com bactérias próprias que funcionam como enzimas no seu metabolismo), mas é esta adaptabilidade alimentar que não deixa de ser uma das curiosidades mais extraordinárias do mundo animal. Só para se ter uma ideia, esta dieta faz com que os Pandas defequem em média 100 vezes por dia, o que é inacreditável. Contudo, e apesar de pouco frequente, a sua alimentação pode ser por vezes adicionada de tubérculos, frutos silvestres, flores, peixes e ovos ou caçar pequenos mamíferos (os ratos do bambu são os alvos comuns)… no entanto, estas situações são consideradas pelos biólogos como excepcionais e requerem mais energia do que aquela que o panda está disposto a utilizar (isto, mesmo quando, a sua genética digestiva está desenvolvida neste sentido; mas vai obrigar a um trabalho mais elaborado da sua flora intestinal e pouco eficaz na absorção). O consumo de energia do panda é instintivamente, reduzido aos limites mínimos das suas necessidades, inclusive reprodutivas.

Isto leva-nos à sua etologia natural e ecológica. Sabendo nós, que o Panda-Gigante é um animal solitário no seu meio ambiente, não precisa nem procura interacção com outros da sua espécie. Os territórios são demarcados e no caso das fêmeas residentes não permitem a intrusão de outras fêmeas por perto… como a maioria dos carnívoros marcam o seu território com urina e as garras funcionam na marcação das árvores como reforço visível na definição dos territórios. Costumam amontoar as fezes marcando fronteiras. A vocalização numa floresta propaga-se com facilidade e essa é outra das formas de comunicarem entre si; seja como aviso a outros machos ou como chamamento a fêmeas que eventualmente se encontrem no período fértil. Um macho cruza o seu território com uma ou mais fêmeas, as relações são poligâmicas. Mas como animais errantes e solitários, dá-se o caso com frequência de mais do que um macho disputar uma fêmea residente ou de passagem. A sua natureza reactiva não é tão simpática e dócil na natureza como poderemos pensar através da imagem tradicional que foi construída… quando incomodado, o seu comportamento depressa se pode tornar irritadiço, mesmo agressivo, passar a perigoso e despoletando-se numa reacção violenta; na época de acasalamento, este padrão torna-se exponencialmente hostil entre machos. “Curiosamente”, muito semelhante à tipificação do mesmo instinto nos ursos. É um excelente trepador de árvores (gosta particularmente, como muitos ursos, de observar o mundo do alto de uma árvores para além de servir de refugio para fêmeas e jovens machos). Igualmente, é um óptimo nadador e gosta de tomar banho em riachos e lagos das montanhas, onde os peixes por vezes servem da proteína que precisam. Tratando-se de um animal errante nestas regiões condicionadas e ansioso na sua procura de bambu recente, não constrói ou define refúgios constantes; os locais mais adaptados a esta espécie, são as saliências nas rochas, as árvores ou outras cavidades ocas em troncos velhos ou estruturas rochosas, que servem somente de bases temporárias e sendo uma espécie que não hiberna como alguns dos semelhantes, opta por vaguear entre altitudes consoante as condições climáticas e a temporalidade sazonal. As quantidades que consome leva a crer que se trata de um animal mais activo do que se poderia pensar; porém, aceita-se que este comportamento seja mais regular com o nascer do dia ou ao crepúsculo do entardecer. Os seus territórios, tendo em conta a devastação do seu habitat original, podem-se hoje estender entre uns escassos 3 km e 15 km, dependendo também da quantidade e qualidade de bambu existente. Só em Qinling calcula-se que haja mais ou menos 100 indivíduos em 300 km, o que evidencia as dificuldades territoriais do habitat do Panda-Gigante. 

No período reprodutivo, um dos momentos mais críticos da espécie; as fêmeas ficam somente receptivas por um tempo muito curto, o cio desenvolve-se durante duas a três semanas. Parece que as fêmeas mais novas ficam férteis durante 2 a 3 dias, enquanto as fêmeas mais velhas podem ter apenas um período de fertilidade de horas, passando pouco das 24 horas e não chegando a 36 horas. Por vezes, este cio, chega a ocorrer já fora da fase de reprodução. Esta situação, pouco benéfica para a espécie, aumenta a preocupação dos conservacionistas pelo facto de que habitualmente, as fêmeas só acasalam por norma de dois em dois anos, ou mesmo três. É ainda entre a Primavera e o Verão que decorre a fase de acasalamento. Nesta altura, o comportamento das fêmeas é muito evidente, a carga de estrogénio faz com que a sua atitude evidencie claramente a sua receptividade; a vocalização que durante o ano é rara aumenta de volume quando sentem o sexo oposto nas proximidades, agitação e a instabilidade, o odor e a marcação dos genitais, são sinais de transmissão para qualquer macho que se encontre por perto. Podendo inclusive, copular com mais do que um parceiro no mesmo período… nem todos os machos são dotados nesta espécie da experiência que lhes permita acasalar com sucesso. Como disse anteriormente, sendo este um período mais agressivo e violento entre os pandas machos… é, por estranho que pareça, importante que este comportamento ocorra, pois este instinto vai fazer com que se desgastem nestas disputas e que se tornem (devido ao cansaço) mais pacientes e tolerantes nas tentativas de acasalamento, evitando assim causar ferimentos maiores nas fêmeas com o excesso de energia acumulada pelos machos. As copulas nesta espécie são quase sempre complicadas; a falta de frequência e a inexperiência, a dificuldade na coordenação motora e posicionais para o acto para que ocorra naturalmente, ditam muitas vezes o fracasso e levam ao desespero pela impaciência e insatisfação das fêmeas (o instinto alerta-as para o curto período de fertilidade). Nos centros de reprodução, apenas 1 em cada 10 machos acasala naturalmente, enquanto só ¼ das fêmeas entra em cio. Após uma gravidez concretizada, a fêmea procura uma toca ou gruta, com uma entrada estreita que protegerá melhor as futuras crias, de predadores e principalmente das intempéries típicas das montanhas destas regiões. Ao contrário das outras espécies de ursos que criam toda a sua prole quando nascem, as fêmeas pandas dão à luz gémeos em 50% das vezes (seja na natureza seja em cativeiro, contudo aqui a ocorrência chega a ser mais elevada) e é certo que a fêmea abandona sempre uma das crias, geralmente a mais pequena ou fraca; não se conhece nenhum caso de sucesso na criação duas crias. A gestação tem uma duração que varia desde os 3 meses e alguns dias até aos cinco meses (às vezes um pouco mais); é também difícil prever com exactidão parte do tempo da gestação como a fase de parto… e na natureza as fêmeas prenhas conseguem ser ainda mais solitárias que os machos. Os pandas selvagens dão a luz 5 a 6 vezes em média ao longo da vida; em cativeiro esta situação poderá dar-se até 10 vezes (a explicação tem lógica; pois as fêmeas são “apresentadas” a várias machos reprodutores no período de fertilidade para aumentar as hipóteses de gravidez). Os nascimentos decorrem já no Outono, mas também aqui a imponderabilidade acontece em matéria da estimação de tempo, é uma percepção que não é fácil ao monitorizar uma fêmea gestante.











Os dois primeiros gêmeos de 2016
As crias (uma ou duas, muito mas muito raramente três) quando nascem são muito pequeninas na proporcionalidade das suas progenitoras. Com pouco mais de 90 gramas até às 150 gramas em média (há alguns casos surpreendentes: no centro de Wolongo, em Sichuan, entre 2007 e 2008, uma das crias dessa temporada, nasceu com 190 gramas, com mais do dobro do que é comum). Com pouco mais de 10 cm, elas nascem com um tom todo ele rosado… sem qualquer indicio do seu típico padrão preto (que começa a surgir perto dos 15 dias), e muito frágeis. Aos vinte dias pode pesar já perto de meio quilo. De olhos fechados, as crias só os abrem ao fim de 40 dias a 6 semanas. Passa a maior parte do tempo a dormir. Os dentes surgem após os 80 dias e só começam a ouvir 1 mês depois de nascerem. Com 7 meses é já um filhote com um peso que ronda os 15 ou mesmo os 20 kg, e já se alimenta só praticamente de bambu. O desmame dá-se à volta dos 8 meses. As crias são bastante inteligentes e adoram brincar, contrastando com as progenitoras: são muito activas. A independência acontece já perto dos 18 meses. Todavia, a maturidade sexual só se manifesta perto dos 5 anos nas fêmeas e entre os 5,5 anos e os 6 anos nos machos. Os filhotes do Panda-Gigante são talvez as crias do reino animal que maior paixão despertam; o seu aspecto ternurento é quase comovente e eleva ainda mais o encanto e a popularidade em torno deste animal.


Dos vários centros de reprodução do Panda-Gigante na China, o “Wolongo National Nature Reserve” no condado de Wenchuan, na Província de Sichuan, é o maior e a mais importante reserva da China, para além do Panda, habitam muitas outras espécies ameaçadas. Estabelecida em 1963, o Centro de “Wolongo Panda Reserve” foi criado nos anos 80 do século passado. Mas só muitos anos mais tarde se conseguiu que os resultados começassem a surgir. Durante 20 anos a reprodução foi uma luta sem grande êxito, nos 10 primeiros anos, apenas uma cria nasceu em cativeiro, e morreu com 2 anos e meio. No inicio deste século, os anos foram já de um assinalável resultado em termos de reprodução, e foi a partir de 2005 com o primeiro grande resultado de nascimentos que o paradigma desta espécie em cativeiro mostrou que era possível salvar a espécie. Em 2015 foi batido o recorde de nascimentos no centro (maioria por inseminação artificial, que é processo adoptado, pelas já conhecidas dificuldades de acasalarem naturalmente), com 23 crias sobreviventes após 26 partos. Em 2013, o número tinha sido 20 pandas bebés. Só para termos uma ideia: Em 1990 na população global tinham nascido 10 crias, em 2008 nasceram ao todo 130 filhotes. Este trabalho deve-se não só aos centros e reservas mas também aos esforços de colaboração de todos os Zoos possuidores de Pandas-Gigantes. Não esquecer que os Pandas-Gigantes são todos eles propriedade da República Popular da China, mesmo aqueles que nascem no estrangeiro, são cedidos apenas por um período de tempo perfeitamente acordado. O êxito só não é maior porque os Pandas em cativeiro dependem muito do ser-humano, e este é um trabalho que ainda não foi possível resolver nem encontrar formas de os manter com autonomia suficiente para integrarem o programa de reintrodução na natureza.

Como dizem os especialistas chineses e outros investigadores, é preciso um maior conhecimento etológico sobre este animal e mais conhecimento científico, sabendo que os 3 grandes obstáculos (1º-as fêmeas nem sempre entram no cio, 2º- o acasalamento e a fecundação são complicados e 3º- a taxa de mortalidade das crias continua a ser um desafio) na criação desta espécie continuam a limitar este sucesso. Acrescentaria, pelo que me foi dado a ver, uma melhoria nos recintos (principalmente dos centros) na qualidade, na dimensão e na transposição do habitat… pois fiquei sempre com a impressão de que não são muito mais do que centros de incubação; se entendo por um lado, por outro suponho que o local onde habitam e se cruzam para acasalamento deve ter mais ambiência natural e maior isolamento.

Tao Tao (que já foi reintroduzido na natureza)
e a mãe Cao Cao
Contudo, tudo este trabalho pode ter uma nova esperança… Em Agosto (no mês passado), surgiu uma notícia que há muito vinha sendo uma possibilidade determinante para a espécie, e que pode agora acelerar o processo de reintrodução de exemplares em cativeiro no seu habitat natural. No dia 31, nasceu uma cria de um cruzamento que parecia improvável nos tempos mais próximos. A união resultou de uma fêmea em cativeiro com um macho em liberdade. Cao-Cao de 15 anos, foi colocada no seu habitat durante dois meses e monitorizada por um colar geolocalização, tendo acasalado a 23 Março, com um macho, numa copula que durou 1 minuto 30 segundos (o que é normal entre os pandas… há registos até perto de 7 minutos). Mas o mais importante é o facto de ela sempre se ter alimentado bem, e se ter relacionado com um espécime na natureza; uma vantagem genética e um grande avanço para novas experiências. A cria encontra-se bem e nasceu com um peso bastante acima do que é comum: com 216 gramas.

Haizi, comendo bambu
O Panda-Gigante, é um animal surpreendente em tudo aquilo que vamos descobrindo sobre ele. No final de Julho (30), sucedeu um outro facto digno de registo de recorde. Haizi, uma fêmea que vive em Wolongo, deu a luz gémeos… não parece nada de extraordinário! Mas é, pois esta fêmea tem 23 anos (o equivalente a 80 na idade humana). As duas crias, são: um macho e uma fêmea, com 123 e 175 gramas, respectivamente. Haizi já havia sido mãe de gémeos quando tinha 19 anos. Tornando-se agora, a mais velha Panda-Gigante a dar a luz.

A única foto que encontrei de...
Dan Dan
Hoje sabemos que estão definidas duas subespécies de Panda-Gigante; mas só recentemente a espécie ganhou esta nova subdivisão científica… em 2005, o Panda-Qinling passou a constar como uma variante da espécie que todas conhecemos. Há quem diga  que já teria sido sugerido nos anos 60 do século XX, depois de algumas interrogações sobre as especificidades do panda associado a esta subpopulação das montanhas de Qinling. Contudo a subespécie só foi reconhecida 40 anos depois, em 2005. As características estão relacionadas com especificidades que a diferenciam do panda tradicional; a estrutura do crânio é mais pequena e os dentes molares maiores, a quem indique que o porte é sensivelmente menor que o panda comum, mas é a pelagem de alguns exemplares que parecem caracterizar diferentemente esta subespécie: só aqui foram encontrados casos de pandas com uma pelagem castanha escura e castanha clara a substituir a tradicional pelagem preta que nos leva a reconhecer de imediato a espécie (ou seja onde existia preto nestes casos encontramos o castanho). De acordo com os tratadores destes animais, alguns dos pandas de pelagem tradicional apresentam uma cor mais clara, e um castanho escuro em torno do tronco. A descoberta e a captura em 1985, de uma fêmea Panda castanho e branco (chamada Dan-Dan, que veio a falecer em Setembro de 2001, um registo que li dizia que havia nascido em 1972), que foi trazida para o Zoo de Xian; veio definitivamente levantar a questão desta população. Esta fêmea acasalou com um Panda preto e branco e desta ligação nasceram três crias, (acho que este é o dado que está correcto, porque outros estudos e notas que li davam a indicação de apenas uma cria que ao fim de algumas semanas mostrava a pelagem tradicional e que passado pouco tempo a pelagem foi mudando de cor apresentando o padrão específico desta subespécie; uma tonalidade castanha substituindo o tradicional preto; e que veio a morrer algum tempo depois… porém, o primeiro relatório parece-me mais autêntico; as 3 crias ficaram registadas como: Panda #321, Panda #322 e Qin Qin).
Esta subpopulação habita uma área muito especifica nestas montanhas, uma zona entre os 1000 e os 3000 metros altitude e os estudos falam numa população com cerca de 300 indivíduos.
Até hoje… só se conhecem 7 casos registados de pandas com esta mutação na pelagem, todos eles foram descobertos na natureza.

QIZAI
 Hoje só existe: Qizai (tradução: “O Sétimo filho”). Um panda macho castanho-branco de sete anos que vive no Foping Panda Valley, na província de Shaanxi. Qizai foi abandonado pela mãe na natureza, pesava 2 kg, o que sugeria que tivesse, provavelmente, dois meses. Quando foi encontrado em Novembro de 2009, estava muito mal tratado, doente e mal nutrido que levava a querer que tivera uns primeiros tempos de vida muito difíceis. A conclusão a que se chegou: é que fora agredido por outros pandas mais velhos que lhe roubavam o bambu que comia (se era apenas por ser diferente e mais frágil, é a questão que prefiro colocar). Qizai, de acordo com o tratador (He Xin) que lhe dedica mais de 18 horas por dia, é um panda gentil, brincalhão e adorável. Come uma média de 20 kg de bambu por dia, cerca de quatro a cinco vezes durante o dia. A dieta é também composta por leite e pãezinhos de farinha chinesa. Pesa uns 100 kg. Tem a particularidade de ser um pouco mais lento do que todos os outros pandas, seja a reagir seja a deslocar-se quando são chamados. Antes de se mudar para o Foping há dois anos, Qizai residia  desde o seu resgate em “Shaanxi Rare Wildlife Rescue”. Os especialistas do Centro procuram agora encontrar uma fêmea para acasalar visto que já atingiu a maturidade sexual e seria igualmente uma oportunidade para pesquisarem novos elementos que descodificassem esta subespécie  sobre a questão da mutação da pelagem. Qizai é certamente, nesta altura, um dos exemplares mais extraordinários do reino animal, colocando-o ao lado de Snowflake (o gorila-do-ocidente-das-terras-baixas albino que vivia no Zoo de Barcelona) e Migaloo ( a baleia-jubarte ou corcunda albina que corre os oceanos).

Os pandas têm 2 tipos de genes, um herdado da mãe e outro do pai. Uma das sugestões dadas pelos especialistas é que o Panda Qinling possui 2 genes característicos; um gene dominante que caracteriza o branco e preto e um gene recessivo que define o castanho e branco, no caso dos exemplares castanhos e brancos acredita-se que eles herdaram os genes recessivos de ambos os progenitores…  o que mesmo sendo raro, acaba por se tornar numa forte probabilidade quando a relação de consanguinidade é mais elevada ( uma possibilidade de facto num habitat muito fragmentado onde a população é numerosa para a proporcionalidade geográfica). A causa desta variação está hoje associada a uma provável mutação dos genes ou factores genéticos, ao duplo gene recessivo, ou à diluição da combinação dos genes.
     
Algumas imagens de momentos da vida de... QIZAI, em Shaanxi e Foping
A origem e evolução cientifica do Panda-Gigante, não é clara. Pressupõe-se que a espécie como a conhecemos hoje, tenha evoluído desde há 2 milhões de anos. Se é originária unicamente da China, já não há tanta certeza, as investigações mais recentes levaram a querer que antepassados do panda poderiam estar relacionados com ossadas (mandibulas semelhantes) encontradas na Península Ibérica com mais de 11 milhões de anos. Os estudos até agora sempre apontaram para uma evolução a partir de um pequeno urso há mais de 3 milhões de anos, que só depois da última era glaciar (há mais 2 de milhões de anos) os dados é que indicavam que o panda seguiu o processo evolutivo que todos conhecemos até há 600 mil anos, quando biologicamente se desenvolveu e avançou até a este género de urso. Se, como estudos identificam, que o Panda-Gigante pode ter origem na época geológica Miocénica (5 a 25 milhões de anos), não é absolutamente relevante, por outro lado, já é pertinente conhecer os mais recentes ancestrais cronológicos desta espécie… pois pode-nos ajudar a entender melhor o Panda-Gigante.
  

Classificação científica

Nome binominal: Ailuropoda melanoleuca /1869

Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Carnivora
Subordem: Caniformia
Família: Ursidae
Género: Ailuropoda
Espécie: Ailuropoda melanoleuca
Subespécies:
Ailuropoda melanoleuca melanoleuca /1869
Ailuropoda melanoleuca qinlingensis / 2005


Nota: visitem este site, muito bom:



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